Estratégias para maior robustez e persistência de produção de ovos em poedeiras

Há um apelo por metas de maior robustez para melhorar a saúde e o bem-estar animal por meio da seleção genética de aves. No entanto, a robustez também pode ser favorecida por abordagens nutricionais destinadas a promover a capacidade adaptativa. Ensaios comerciais em galinhas poedeiras mostraram que essa estratégia nutricional leva a uma melhoria na persistência da postura.

Por que a robustez importa?

A combinação de seleção genética para aumento da produção e a intensificação das condições de alojamento de galinhas poedeiras não foram sem consequências. Preocupações sobre o bem-estar animal, bem como os riscos para a saúde humana decorrentes de bactérias resistentes aos antibióticos e surtos de doenças estão abrindo o caminho para um novo foco de pesquisa e a introdução de robustez ou resiliência como uma característica desejável na produção animal.

O conceito de robustez inclui traços individuais de um animal que são relevantes para a saúde e o bem-estar. De acordo com Knap 2012, a robustez é a capacidade de combinar um alto potencial de produção com a resiliência aos estressores. A robustez baseia-se na possibilidade de resposta adequada a um estressor e tem como objetivo a manutenção funcional mesmo em condições de desafio. Isso leva a uma vantagem competitiva porque a má adaptação frente aos estressores pode ter impactos negativos sobre o comportamento animal, metabolismo e imunologia. Daí porque a robustez está rapidamente ganhando importância na produção animal.

As principais características importantes para a robustez dos animais de produção estão na produtividade e na capacidade de adaptação em uma ampla variedade de condições. Diferenças nas condições podem ser causadas pelo clima, instalações, pressão de desafios sanitários, exposição a patógenos e diferenças na qualidade e composição dos alimentos. Neste contexto, a adaptação pode ser descrita como um mecanismo do animal que o capacita a lidar com distúrbios internos ou externos, estressores ou com mudanças no ambiente.

De acordo com um grupo de pesquisa da Universidade de Wageningen, uma abordagem multidisciplinar é crucial para revelar os determinantes da capacidade adaptativa em animais de produção. A capacidade adaptativa é determinada pelo background genético da ave. No entanto, a expressão da capacidade adaptativa e, portanto, da robustez pode ser facilidada ou inibida pelas condições reais em que as aves vivem (por exemplo, estado nutricional, ambiente social, pressão de desafio sanitário, etc.).

Seleção genética para a robustez

Resultados de pesquisas indicaram que o bem-estar de um animal depende de suas características genéticas, fatores ambientais e interações genético-ambientais. Isso significa que um animal tem a capacidade de se adaptar ao seu ambiente. Programas de seleção genética que assegurem que o bem-estar animal vai se aprimorar, ao mesmo tempo em que melhoram as características de produção, são multi-nível e seleção multi-característica, direcionados para melhorar os efeitos associativos.

Pesquisa também mostraram que a seleção em grupos aumenta a robustez na medida em que se aumenta a capacidade geral de lidar com estressores. Por exemplo, grupos de poedeiras selecionados tiveram uma mortalidade menor em resposta à exposição ao calor em gaiolas de múltiplas aves em comparação com o controle. Isso sugere que a seleção em grupos pode ser um método eficaz para aumentar a robustez em galinhas poedeiras.

A seleção genômica baseada em marcadores genéticos, permitirá uma melhoria mais rápida de características importantes ou mais difíceis de medir, ou de baixa herdabilidade como bicar, resistência a doenças, robustez e resistência óssea.

Nutrição para robustez

A implementação efetiva da robustez dentro de metas de seleção genética requer pesquisa genética em larga escala que, para a maioria das características é trabalhosa e cara. Portanto, encontrar formas adicionais de melhorar a capacidade de adaptação das aves pode acelerar o processo para alcançar a meta de robustez das aves. Novos conceitos nutricionais, como os ativadores de agilidade intestinal, são projetados para dar suporte à capacidade adaptativa e, consequentemente, a robustez da ave por meios nutricionais. Eles ajudam as aves a se adaptarem aos desafios nutricionais, minimizando as reações de estresse, como o estresse oxidativo e a redução do consumo de ração, que, de outra forma, afetariam o desempenho, a saúde e o bem-estar da ave. O estresse calórico, a alta densidade populacional e as micotoxinas são fatores conhecidos que normalmente levam ao aumento do estresse oxidativo e à redução do consumo de ração.

Aves ágeis à frente na persistência de produção

Ciclos de postura mais longos podem ajudar a reduzir custos, por isso são imperativos em um ambiente econômico difícil. Além disso, eles podem reduzir o impacto ambiental da produção de ovos. Portanto, há um foco crescente na melhoria da persistência e qualidade dos ovos no final do ciclo de postura. Os benefícios da seleção genética para melhorar a persistência e a estabilidade da postura na qualidade do ovo só podem ser obtidos se forem acompanhados por melhorias na nutrição das aves. Pobres condições sanitárias e o estresse ambiental afetam a formação de ovos e a capacidade da galinha de manter a persistência. Isso pode ser agravado pelos estressores nutricionais da dieta, como mudanças na dieta, baixa digestibilidade dos nutrientes, endotoxinas, fatores antinutricionais e micotoxinas. Gerenciar a resiliência em aves para esses estressores por meios nutricionais pode ajudar a melhorar a persistência da postura.

A inclusão na dieta de um ativador de agilidade intestinal projetado para minimizar as reações de estresse comuns as aves, em um lote de matrizes comerciais mostrou melhorar a persistência da postura no período de pós pico de postura. Isso indica que dar suporte a capacidade adaptativa ou a agilidade das aves com um ativador de agilidade intestinal aumenta a chance de manter a persistência da postura por mais tempo.

Progresso mais rápido antecipado

Até agora, tem sido difícil quantificar a robustez diretamente. No entanto, medições por sensores vestíveis e outros recursos, juntamente com o surgimento de novas ferramentas analíticas, podem vir a ser um divisor de águas para medir a robustez. A indústria pecuária já está aproveitando sensores portáteis com múltiplos usos, desde detecção de estresse, análise de comportamento, monitoramento fisiológico e detecção de estado de saúde e doença de animais.

Uma barreira para sensores vestíveis na indústria avícola é o número de aves que são manejadas em grandes operações avícolas, já que prover todas as aves com dispositivos sensoriais é impraticável. Apesar disso, é possível ajustar uma parte do lote com sensores, e os dados gerados a partir dessas aves podem ser usados para avaliar a saúde total do lote.

É provável que essas ferramentas possibilitem um progresso rápido para o gerenciamento da robustez em animais de produção e podem também convidar a repensar como podemos facilitar e aumentar a capacidade de adaptação de galinhas poedeiras.