Resiliência animal- Aproveitando o poder de resiliência das plantas

A resiliência das plantas, quando expostas a condições estressantes, determina sua sobrevivência. Uma das estratégias chave para a resiliência dos animais pode ser a resposta à questão: O que está ajudando as plantas a se adaptarem às mudanças climáticas, ataques de patógenos microbianos, pragas e outros estressores?

Resiliência uma característica chave para a sobrevivência

Resiliência é um nome moderno para uma característica inerente. Sempre foi crucial para a sobrevivência se recuperar rapidamente de desafios e estressores e continuar vivendo. Isto é o que define a resiliência em plantas, animais, seres humanos e organizações. Quanto mais rápido você se adapta ou quanto menores forem os impactos dos desafios e estressores no funcionamento normal, maior a chance de sobrevivência a longo prazo. Quanto mais resiliente você for, menos suporte externo você precisa, e mais consistente e eficiente é o seu desempenho. Isso significa que a resiliência é uma vantagem competitiva chave, particularmente em situações estressantes e tempos de mudança.

Por que a resiliência é importante na produção animal

Há uma grande quantidade de atividades e estudos atualmente focados para aumentar a resiliência das plantas. No caso de animais, este tema está um tanto quanto atrasado, mas vem se acelerando por razões muito semelhantes. Mudanças climáticas, demandas de redução no uso de produtos químicos e promotores de crescimento antibióticos, preocupações crescentes para o bem-estar animal e um rápido declínio na disponibilidade de mão de obra qualificada na produção animal estão trazendo os geneticistas de volta à prancheta. Todos essencialmente concordam: a seleção continuada para um maior desempenho, na ausência de consideração para a capacidade adaptativa dos animais para lidar com os estressores, resultará em maior susceptibilidade ao estresse e à enfermidades. As possibilidades de seleção genética junto a outras alternativas para melhorar a capacidade adaptativa dos animais estão atualmente sendo exploradas em vários projetos de pesquisa em todo o mundo para aumentar a resiliência dos animais.

Extração da resiliência das plantas

À medida que as plantas evoluíram, desenvolveram mecanismos de enfrentamento muito sofisticados contra os estressores, o que as ajudaram a serem mais resilientes diante de estressores e ameaças à sobrevivência.

A exposição das plantas à condições ambientais desfavoráveis aumenta a produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). Como resultado, o processo de desintoxicação destes componentes é essencial para a proteção da célula vegetal contra o efeito tóxico das EROs. Os sistemas de desintoxicação das EROs nas plantas incluem antioxidantes enzimáticos e não enzimáticos. Os antioxidantes não enzimáticos envolvidos incluem compostos fenólicos, flavonoides, alcaloides, tocoferol e carotenoides. Os sistemas de defesa antioxidante trabalham em conjunto para controlar a cascata de oxidação descontrolada e proteger as células vegetais contra danos oxidativos por eliminação das EROs.

Além de antioxidantes, as plantas contêm uma infinidade de substâncias bioativas, com uma variedade de propriedades comprovadas, tais como anti-inflamatórios, antimicrobianos e aromáticos, que fazem parte de seus mecanismos de resiliência para a sobrevivência e defesa. A combinação de muitas substâncias torna as plantas polivalentes a diferentes estressores e ameaças à sobrevivência.

Muitas plantas produzem óleos essenciais, que contêm essas substâncias bioativas para protegê-las de estressores e doenças em uma forma mais concentrada. Os óleos essenciais são óleos voláteis, que podem ser extraídos de plantas por destilação. Estes óleos têm uma longa história como conservantes de alimentos e hoje muitos deles são classificados como geralmente reconhecido como seguro (GRAS) pela Food and Drug Administration (FDA).

Aplicando o segredo das plantas para dar suporte a resiliência dos animais

Em nível celular, os animais experimentam um tipo similar de reações ao estresse que as plantas. Estressores como calor, mudanças nas dietas, desmame, período de transição e micotoxinas causarão um aumento na produção das EROs, desencadeando respostas inflamatórias e aumentando a permeabilidade das células no intestino. Isto pode resultar em um animal mais suscetível a enfermidades.
Extrair óleos essenciais de plantas que contenham os mesmos componentes bioativos que estão ajudando as plantas a lidar e resistir a estressores e aplicá-los aos conceitos de nutrição animal, pode dar suporte a resiliência dos animais. Os ativadores de agilidade de adaptação intestinal são novos conceitos nutricionais baseados em alguns dos mecanismos da resiliência das plantas e são projetados especificamente para melhorar a adaptabilidade do animal aos estressores. Isso então fornece uma maneira de dar suporte a resiliência dos animais por meios nutricionais.

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Efeitos do nível de inclusão de um aditivo fitogênico para rações sobre carcaças de frango, disponibilidade de energia na dieta e expressão de genes relevantes para as funções de absorção e metabolismo de nutrientes do crescimento celular

Mountzouris, K.1, Paraskeuas, V. 1, Griela, E. 1, Kern, A. 2, Fegeros, K. 1
1Department of Nutritional Physiology and Feeding, Agricultural University of Athens, 118 55 Athens, Greece
2Anco Animal Nutrition Competence GmbH, Linzer Strasse 55, 3100 Sankt Poelten, Austria

O nível de inclusão de um Premix Fitogênico (PF) ativador de agilidade de adaptação intestinal composto por substâncias aromatizantes funcionais de gengibre, erva-cidreira, orégano e tomilho foi investigado por seus efeitos no desempenho de frangos de corte, características de carcaça, digestibilidade de nutrientes, disponibilidade de energia dietética (EMAn) e expressão dos genes dos transportadores intestinais de nutrientes (SGLT1, GLUT2, PEPT1, BOAT e LAT1), incluindo os genes FABP2 e mTORC1, relevantes para a captação de ácidos graxos celulares e síntese proteica, respectivamente. Frangos Cobb com um dia de idade (n = 500) foram distribuídos em quatro tratamentos, com cinco repetições de 25 galinhas cada.

Dependendo do nível de inclusão do PF (isto é, 0, 750, 1000 e 2000 mg / kg de dieta) os tratamentos foram: Controle, PF750, PF1000 e PF2000. Os dados foram analisados por ANOVA e os efeitos significativos (P <0,05) foram comparados usando o teste de Tukey HSD. Contrastes polinomiais testaram o efeito linear e quadrático dos níveis de inclusão do PF.

Respostas de performance de crescimento não melhoraram significativamente (P> 0,05) pela inclusão do PF. No entanto, carcaça (P = 0,030) e rendimento de peito (P = 0,023) foram maiores no PP1000 em relação ao Controle. Além disso, o PP1000 apresentou maior EMAn (P = 0,049) em comparação com PP2000 e Controle. Expressões gênicas de 10 frangos por tratamento de SGLT1, GLUT2, PEPT1, BOAT e FABP2 não foram afetadas pelo PF.

No entanto, o PF afetou a expressão de LAT1 (P <0,001) no jejuno e a de mTORC1 no duodeno (P = 0,010) e ceco (P = 0,025). Em particular, sua expressão aumentou com o aumento do nível de inclusão de PP em um padrão linear e quadrático, dependendo do segmento intestinal.

Em geral, os melhoramentos no rendimento de carcaça e carne pela inclusão do PF em 1000 mg / kg podem ser explicados pelo aumento da energia dietética disponível para as aves e a evidência preliminar de uma melhor função de síntese proteica muscular.

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Estratégias para maior robustez e persistência de produção de ovos em poedeiras

Há um apelo por metas de maior robustez para melhorar a saúde e o bem-estar animal por meio da seleção genética de aves. No entanto, a robustez também pode ser favorecida por abordagens nutricionais destinadas a promover a capacidade adaptativa. Ensaios comerciais em galinhas poedeiras mostraram que essa estratégia nutricional leva a uma melhoria na persistência da postura.

Por que a robustez importa?

A combinação de seleção genética para aumento da produção e a intensificação das condições de alojamento de galinhas poedeiras não foram sem consequências. Preocupações sobre o bem-estar animal, bem como os riscos para a saúde humana decorrentes de bactérias resistentes aos antibióticos e surtos de doenças estão abrindo o caminho para um novo foco de pesquisa e a introdução de robustez ou resiliência como uma característica desejável na produção animal.

O conceito de robustez inclui traços individuais de um animal que são relevantes para a saúde e o bem-estar. De acordo com Knap 2012, a robustez é a capacidade de combinar um alto potencial de produção com a resiliência aos estressores. A robustez baseia-se na possibilidade de resposta adequada a um estressor e tem como objetivo a manutenção funcional mesmo em condições de desafio. Isso leva a uma vantagem competitiva porque a má adaptação frente aos estressores pode ter impactos negativos sobre o comportamento animal, metabolismo e imunologia. Daí porque a robustez está rapidamente ganhando importância na produção animal.

As principais características importantes para a robustez dos animais de produção estão na produtividade e na capacidade de adaptação em uma ampla variedade de condições. Diferenças nas condições podem ser causadas pelo clima, instalações, pressão de desafios sanitários, exposição a patógenos e diferenças na qualidade e composição dos alimentos. Neste contexto, a adaptação pode ser descrita como um mecanismo do animal que o capacita a lidar com distúrbios internos ou externos, estressores ou com mudanças no ambiente.

De acordo com um grupo de pesquisa da Universidade de Wageningen, uma abordagem multidisciplinar é crucial para revelar os determinantes da capacidade adaptativa em animais de produção. A capacidade adaptativa é determinada pelo background genético da ave. No entanto, a expressão da capacidade adaptativa e, portanto, da robustez pode ser facilidada ou inibida pelas condições reais em que as aves vivem (por exemplo, estado nutricional, ambiente social, pressão de desafio sanitário, etc.).

Seleção genética para a robustez

Resultados de pesquisas indicaram que o bem-estar de um animal depende de suas características genéticas, fatores ambientais e interações genético-ambientais. Isso significa que um animal tem a capacidade de se adaptar ao seu ambiente. Programas de seleção genética que assegurem que o bem-estar animal vai se aprimorar, ao mesmo tempo em que melhoram as características de produção, são multi-nível e seleção multi-característica, direcionados para melhorar os efeitos associativos.

Pesquisa também mostraram que a seleção em grupos aumenta a robustez na medida em que se aumenta a capacidade geral de lidar com estressores. Por exemplo, grupos de poedeiras selecionados tiveram uma mortalidade menor em resposta à exposição ao calor em gaiolas de múltiplas aves em comparação com o controle. Isso sugere que a seleção em grupos pode ser um método eficaz para aumentar a robustez em galinhas poedeiras.

A seleção genômica baseada em marcadores genéticos, permitirá uma melhoria mais rápida de características importantes ou mais difíceis de medir, ou de baixa herdabilidade como bicar, resistência a doenças, robustez e resistência óssea.

Nutrição para robustez

A implementação efetiva da robustez dentro de metas de seleção genética requer pesquisa genética em larga escala que, para a maioria das características é trabalhosa e cara. Portanto, encontrar formas adicionais de melhorar a capacidade de adaptação das aves pode acelerar o processo para alcançar a meta de robustez das aves. Novos conceitos nutricionais, como os ativadores de agilidade intestinal, são projetados para dar suporte à capacidade adaptativa e, consequentemente, a robustez da ave por meios nutricionais. Eles ajudam as aves a se adaptarem aos desafios nutricionais, minimizando as reações de estresse, como o estresse oxidativo e a redução do consumo de ração, que, de outra forma, afetariam o desempenho, a saúde e o bem-estar da ave. O estresse calórico, a alta densidade populacional e as micotoxinas são fatores conhecidos que normalmente levam ao aumento do estresse oxidativo e à redução do consumo de ração.

Aves ágeis à frente na persistência de produção

Ciclos de postura mais longos podem ajudar a reduzir custos, por isso são imperativos em um ambiente econômico difícil. Além disso, eles podem reduzir o impacto ambiental da produção de ovos. Portanto, há um foco crescente na melhoria da persistência e qualidade dos ovos no final do ciclo de postura. Os benefícios da seleção genética para melhorar a persistência e a estabilidade da postura na qualidade do ovo só podem ser obtidos se forem acompanhados por melhorias na nutrição das aves. Pobres condições sanitárias e o estresse ambiental afetam a formação de ovos e a capacidade da galinha de manter a persistência. Isso pode ser agravado pelos estressores nutricionais da dieta, como mudanças na dieta, baixa digestibilidade dos nutrientes, endotoxinas, fatores antinutricionais e micotoxinas. Gerenciar a resiliência em aves para esses estressores por meios nutricionais pode ajudar a melhorar a persistência da postura.

A inclusão na dieta de um ativador de agilidade intestinal projetado para minimizar as reações de estresse comuns as aves, em um lote de matrizes comerciais mostrou melhorar a persistência da postura no período de pós pico de postura. Isso indica que dar suporte a capacidade adaptativa ou a agilidade das aves com um ativador de agilidade intestinal aumenta a chance de manter a persistência da postura por mais tempo.

Progresso mais rápido antecipado

Até agora, tem sido difícil quantificar a robustez diretamente. No entanto, medições por sensores vestíveis e outros recursos, juntamente com o surgimento de novas ferramentas analíticas, podem vir a ser um divisor de águas para medir a robustez. A indústria pecuária já está aproveitando sensores portáteis com múltiplos usos, desde detecção de estresse, análise de comportamento, monitoramento fisiológico e detecção de estado de saúde e doença de animais.

Uma barreira para sensores vestíveis na indústria avícola é o número de aves que são manejadas em grandes operações avícolas, já que prover todas as aves com dispositivos sensoriais é impraticável. Apesar disso, é possível ajustar uma parte do lote com sensores, e os dados gerados a partir dessas aves podem ser usados para avaliar a saúde total do lote.

É provável que essas ferramentas possibilitem um progresso rápido para o gerenciamento da robustez em animais de produção e podem também convidar a repensar como podemos facilitar e aumentar a capacidade de adaptação de galinhas poedeiras.

 

Melhoradores da saúde intestinal das poedeiras: Oportunidades e desafios

O momento atual impõe ás atividades pecuárias demandas que, nunca na história, se impuseram de forma tão intensa e rápida como se observa agora.
De um lado temos a necessidade de produzir proteína animal em volumes crescente para atender as demandas por alimento de uma população que não para de crescer, por outro lado, esta mesma população está cada dia mais informada (com boas e más informações) e clamando por alimentos de melhor qualidade que possam suportar uma expectativa de vida saudável por mais tempo, mais baratos e sem ter o peso na consciência de que este alimento produziu algum sofrimento animal, social ou ambiental.

Soma se a isto o fator “recursos limitados” e podemos ter uma ideia dos desafios que temos pela frente.
Nunca as pontas do triangulo Quantidade, Qualidade e Custos tiveram seus nós tão apertados e a avicultura de postura comercial não fica fora deste contexto e, sem dúvida nenhuma, as principais tendências que estão em curso envolvem a restrição de uso de gaiolas convencionais e restrição de uso de agentes antibióticos.
Estas duas tendências vão ter impacto direto na saúde e eficiência do TGI (Trato Gastrointestinal), que é uma importante peça desta máquina de transformação de rações em ovos chamada poedeira.

Portanto, o objetivo desta discussão é pontuar algumas ideias e pontos de vista que possam ajudar no entendimento e atendimento das demandas atuais, elencando algumas ferramentas e tecnologias de produção disponíveis com foco na manutenção e melhoria da saúde intestinal das aves.

Alguns pontos importantes sobre saúde do TGI

O TGI apresenta uma complexidade enorme, tanto em termos de estrutura anatomofisiológica e histológica, como em termos de Inter relações com outros sistemas ou mesmo com o conteúdo intraluminal.
Quando falamos em saúde intestinal em poedeiras, não estamos tratando somente sobre a eficiência dos processos de ingestão e digestão do alimento e consequente absorção dos nutrientes, mas também sobre uma importante função do TGI que muitas vezes passa desapercebida: A seleção do que deve ou não ser absorvido, ou seja, nutrientes, agua, eletrólitos podem. Toxinas, micotoxinas, endotoxinas e microrganismos, não podem.

Diferente do que possa parecer, o epitélio do tubo digestivo tem contato direto com o meio externo, já que assim se considera o lúmen intestinal e dadas as condições de temperatura, humidade e presença de nutrientes, este espaço se constitui em ambiente perfeito para o desenvolvimento de uma enormidade de microrganismos, uns benéficos ou simples comensais, porém outros que são patógenos.
Além disso, o epitélio intestinal está em contato íntimo e constante com material estranho ao organismo, ou seja, com o alimento antes de este ser “preparado” pelos processos de digestão. Junto com nutrientes, este “material estranho” chamado alimento, carreia uma infinidade de componentes e microrganismos que podem ser considerados inertes, porém não raro carreia toxinas, micotoxinas, agentes antinutricionais, alcaloides e um sem número de outros componentes que são potencialmente danosos. Em resumo, o TGI está constantemente exposto a riscos e agressões. Felizmente, a natureza dotou os animais de mecanismos de proteção que funcionam muito bem em condições normais e que mitigam estes riscos.
Infelizmente nem sempre temos as condições de normalidade e a intensidade dos riscos sobre passa a capacidade de mitigação.

Podemos dizer que o lúmen intestinal pode ser um “amplificador” do que está ocorrendo no ambiente externo. Assim sendo, não dá para falar de saúde intestinal sem comentar algo sobre saúde ambiental e saúde alimentar. Qualquer ferramenta usada com a intenção de melhorar a saúde intestinal vai falhar frente a um ambiente altamente contaminado, com temperatura, humidade e condições de conforto inadequadas ou a um alimento deteriorado ou inadequado.

Neste sentido, o cuidado com a saúde ambiental e alimentar no que se refere a cuidados com desinfecção, controle de pragas, controle de temperatura, umidade bem-estar dos animais e controle de qualidade das matérias primas usadas nas rações, vai ter reflexo direto com o que está no interior do lúmen intestinal e consequentemente no sucesso do emprego das ferramentas que serão discutidas adiante.

Restrição ao uso de antibióticos & Restrição ao uso de gaiolas convencionais: Tempestade perfeita?

Deixando um pouco de lado questões de bem-estar animal e segurança alimentar, podemos afirmar que o modelo convencional de produção de ovos seria quase perfeito em termos de saúde intestinal das aves. Manter os animais distantes da principal fonte de contaminação que seriam as excretas e além disso usar um promotor de crescimento antibiótico ou mesmo um “choquezinho” com antibióticos em doses terapêuticas de tempos em tempos, com vistas a dar uma “limpadada” nas aves, a priori poderia parecer o ideal. Em termos práticos, não foi isso que vimos em várias situações.

Infelizmente, uma arma extremamente potente foi usada como ferramenta para acertar erros no “B a Ba” do manejo, ambiência e desinfecção e realmente tudo indica que teremos fortes restrições de uso.

Juntemos a isso uma tendência, que tudo indica também irreversível, se não no curto, mas no médio e longo prazo, de restrições ao uso de gaiolas convencionais, onde os animais ficarão mais expostos ás fontes de contaminação ou que apresentem maior dificuldade para higienização (certamente os trabalhos de higienização de uma “gaiola mobiliada” será um pouco mais difícil) e talvez tenhamos desenhada uma tempestade perfeita em termos de saúde intestinal.

Felizmente a experiência tem mostrado que é sim possível a adaptação à nova realidade, que será focada em bem-estar animal e qualidade intrínseca do ovo, mantendo os mesmos níveis de rendimento zootécnico e econômicos observados com técnicas de produção que utilizamos até então.
Logicamente, com a mudança no modelo de produção, novos desafios surgirão no futuro e problemas que não tinham tanta importância no modelo convencional podem ganhar nova dimensão. Como exemplo podemos citar agravamento de problemas com insetos, principalmente o Anphitobius diaperinus e parasitas intestinais.

Em se atendo exclusivamente á saúde intestinal, podemos afirmar que para atingir este objetivo, atenção deve ser dada a 3 áreas estratégicas do modelo de produção:
– Saúde Ambiental
-Saúde Alimentar
-Emprego adequado de ferramentas auxiliares.

Saúde Ambiental:

A principal barreira contra o desenvolvimento de enfermidades se encontra na própria ave, porém estes mecanismos de defesa possuem limites relativamente estreitos com relação a condições de temperatura, umidade e mesmo estresse social para perfeito funcionamento. Desta forma, boas condições de manejo dos animais, bem como ambiência, jogam papel fundamental.

Como dito anteriormente, o TGI é um amplificador do que está ocorrendo em termos microbiológicos no ambiente, dado as condições de temperatura e disponibilidade de nutrientes encontrados em seu lúmen. Desta forma, manter os níveis de contaminação microbiológica ambiental controlados é fundamental.

Não dá para falar de saúde microbiológica ambiental sem fazer breves comentários sobre desinfetantes. Primeiramente é bom deixar claro que não existe uma molécula ou formulação que seja melhor que a outra. O que existe são situações distintas em que um produto vai funcionar melhor que o outro. Em assim sendo, causa muita surpresa encontrar uma granja que trabalha somente com um tipo de desinfetante, já que em um ambiente de produção existem diversas situações. Daí a necessidade de conhecimento da realidade de cada granja em termos de desafio microbiológico e ambientais e o conhecimento sobre as características dos produtos disponíveis.

Existem várias tabelas agrupando as características das diversas moléculas, mas o ideal é a consulta aos provedores destes produtos para maiores informações. Abaixo, segue um exemplo extraído do The Center for Food Security & Public Health, Iowa State University.

Saúde Alimentar:

Quando falamos de saúde alimentar, não nos referimos somente ás rações e seus componentes. A água se encaixa nesta categoria como sendo um dos principais alimentos (e também vetor de disseminação de enfermidades), além de servir como veículo e agente na aplicação de medicamentos, vacinas, desinfetantes e processos de limpeza. A monitoria constante da qualidade de agua, bem como o uso de técnicas de potabilização são muito importantes para garantir a saúde intestinal.

No que se refere ás dietas (matérias primas e rações), não há dúvidas de que a melhor ação estratégica continua sendo a vigilância constante através de técnicas de controle de qualidade aplicadas de forma sistemática.

Muitos desvios nos parâmetros normais de qualidade (desvios físicos, químicos ou microbiológicos) de matérias primas e rações podem ter seus efeitos negativos minimizados quando identificados a tempo. Infelizmente muitos produtores de ovos não têm um controle de qualidade adequado em suas fábricas de rações ou por não dar a devida importância a este tema ou por acreditarem que são caros e de difícil execução, o que não é verdade.

A simples monitoria rotineira de umidade, densidade, classificação de grãos e avaliação do milho em câmara de Barabolak, podem trazer informações preciosas para tomada de ações corretivas ou que minimizem o impacto de matérias primas fora de padrão nas dietas. Abaixo segue sugestões que podem orientar na implantação de um programa básico de controle de qualidade de milho.

Referente ao tema de saúde nutricional, não podemos esquecer os esforços no sentido de equilíbrio nutricional das dietas que deve ser feito de maneira a não faltar nutrientes, como também a não sobrar. Da mesma forma que os animais precisam de nutrientes, os patógenos também precisam. Isto se verifica de forma clássica na relação excesso proteico e desenvolvimento de Clostridium.

Emprego adequado de ferramentas auxiliares

Primeiramente definiremos ferramentas auxiliares como sendo produtos e serão consideradas auxiliares porque vão ajudar a controlar estressores e suas manifestações que vão aparecer ou ter sua manifestação amplificada em decorrência de falhas nas estratégias de manutenção da saúde ambiental e saúde alimentar.
Podemos listar os principais estressores que impactam diretamente sobre a saúde intestinal como sendo:

– Micotoxinas
-Mudanças abruptas na dieta
-Agentes Antinutricionais
-Ingredientes de baixa digestibilidade
-Patógenos
-Estresse Ambiental

A figura abaixo representa as principais manifestações, ou efeitos, produzidos pelos estressores. Estas manifestações são compartilhadas pelos diversos estressores e são potencializadas quando da presença de vários estressores ao mesmo tempo. Fatalmente, estas manifestações vão levar a perda de produtividade das aves e também redução na qualidade do ovo produzido.

Vamos antes a uma breve descrição sobre os efeitos da ação dos estressores, o que será importante no entendimento de alguns mecanismos e oportunidades do emprego de algumas das ferramentas auxiliares.

Estresse oxidativo

A interessante teoria endossimbiótica diz que provavelmente a mitocôndria, importante organela celular responsável pelo processo de respiração da célula eucarionte (fosforilação oxidativa) e consequente produção de energia, era, no passado, um organismo procarionte (talvez uma bactéria) que em algum momento foi capturado pela célula eucarionte e passou a conviver em seu interior, gerando energia em troca de proteção e nutrientes, o que foi um passo gigantesco para acelerar os processos de evolução. Infelizmente o processo de produção de energia gerado pela mitocôndria traz como consequência a produção concomitante de Radicais livres (tanto de Oxigênio como de Nitrogênio, também chamados de Espécies Reativas, EROs e ERNs).

Estes radicais livres são altamente tóxicos para as células, estando envolvidos nos processos de oxidação lipídica, proteica, danos ao DNA e morte celular. Felizmente a evolução proveu as células de mecanismos de combate a estes radicais livres dos quais podemos citar mecanismos enzimáticos (SOD, Catalase, GPX, etc), metaloproteínas e vitaminas (C e E). O Estresse Oxidativo se dá quando um estressor promove a produção de radicais livres a um nível que ultrapassa a capacidade da célula em combate los.

Chama a atenção o potencial de estimulação de produção de radicais livres protagonizados pelas micotoxinas o que pode ser verificado nas alterações dos complexos enzimáticos celulares antioxidantes e produção de Malondialdeído.

Inflamação:

O intestino, como mais importante órgão linfoide e em contato direto com “material estranho” está constantemente sob influência de processos inflamatórios através da ativação da resposta imune inata, o que pode ser agravado pela ação de estressores.
O problema com isso é que a manutenção destes processos inflamatórios demanda uma grande quantidade de energia, que é mobilizada em detrimento da energia destinada aos processos produtivos. Além disso, sob ação de processo inflamatório a ave tem seu apetite comprometido, o que agrava ainda mais os danos sobre a produtividade e qualidade de ovos. Quando há inflamação, 70% da redução de desempenho se deve a perda de apetite. (Klassing, 2004) e Em aves sob desafio, a resposta imune inata e adaptativa utilizam 550µmol/kg/día de lisina, a qual poderia ser utilizada para crescimento sendo convertida em 7,8g de massa corporal (Kassing, 2004).  Podemos assim dar uma dimensão econômica em frente a este problema.

Redução da integridade intestinal

Quando falamos sobre integridade intestinal podemos nos referir à eficiência dos processos de ingestão, digestão e absorção de nutrientes, porém não é só isso. Como dito anteriormente, existe uma infinidade de substâncias e microrganismos na luz do intestino que não podem ultrapassar a mono camada de enterócitos, sendo assim, uma importante função do intestino é proceder a absorção seletiva.
A mais importante estrutura histológica que é responsável por esta característica se encontra na junção entre os enterócitos chamada de junções ocludentes (Tight Junctions). Esta complexa estrutura é formada por diversas proteínas, entre as quais podemos citar Ocludina, Caludina e ZO-1. O perfeito arranjo entre estas proteínas “sela” o espaço entre os enterocitos permitindo a passagem somente pequenos solutos hidrossolúveis e ions, deixando na luz intestinal moléculas mais complexas como toxinas e micotoxinas e microrganismos. Diversos estressores têm o potencial de interferir na qualidade e quantidade da produção das proteínas de junção, o que vai resultar em “permissividade” intestinal, ou seja, o intestino passa a “permitir” a passagem de “coisas” que não deveriam passar.
Além disso, dada a complexidade dos processos normais de absorção, vários estressores vão comprometer a absorção normal de nutrientes, o que vai resultar em uma inversão de função entérica, ou seja, o TGI começa a dar passagem ao que não devia e deixa de absorver o que deveria.


Apetite Reduzido

São muito complexos os mecanismos de regulação do apetite em aves e muitos deles são afetados direta ou indiretamente pela presença de estressores.
Vale chamar a atenção para a ação de alguns estressores sobre os mecanismos hormonais de regulação do apetite, como por exemplo os mecanismos envolvendo colecistocininia e peptídeo YY que podem sem “enganados” através de hiperestimulação por alguns estressores, principalmente micotoxinas, produzindo se assim inapetência.

Ferramentas Auxiliares (breve descrição)

Como dito anteriormente, a natureza proveu as aves de mecanismos de defesa contra os estressores, porém estes mecanismos apresentam limitações de funcionamento de acordo com condições ambientais e intensidade do desafio. Neste sentido, as ferramentas auxiliares (produtos) têm como objetivo diminuir ou neutralizar a intensidade do desafio ou estimular os mecanismos de defesa naturais das aves ou uma interação dos dois.
Será deixada de lado a abordagem sobre promotores de crescimento antibióticos, já que uma das teses centrais desta discussão leva em conta a possibilidade de restrição de uso desta ferramenta.

Por motivo de mais fácil entendimento sobre cada uma, as ferramentas auxiliares serão classificadas em 2 grupos:
– Ferramentas de impacto direto sobre os estressores
– Ferramentas de estimulo aos mecanismos de defesa.

Conclusões

– A atividade pecuária de produção de ovos está passando por um momento bastante dramático do modelo de produção convencional devido a exigências do mercado no que diz respeito a bem-estar animal e segurança alimentar.

– O principal desafio destas mudanças vai se dar a nível de saúde intestinal

– Estas mudanças vão exigir a adaptação do produtor tanto no sentido de se ater com mais cuidado a tecnologias que já são consagradas a muito tempo, principalmente se ater aos fundamentos de ambiência e controle de qualidade de processos, quanto a implantação de novas tecnologias.

by Marco Aurelio Stefanoviciaus Nunes

Persistência de postura – 500 ovos em um só ciclo de produção em 100 semanas

A persistência de produção de ovos é uma das principais características atualmente sendo desenvolvida em galinhas poedeiras. A “poedeira de vida longa”, que será capaz de produzir 500 ovos em um ciclo de 100 semanas, está no horizonte.

Na Europa, a prioridade é aumentar a produção de ovos por meio de melhoramento genético para aumentar a persistência da postura e a estabilidade na qualidade dos ovos, de modo que o ciclo de produção dos lotes comerciais possa ser estendido para 90 a 100 semanas. Os programas de melhoramento genético concentram-se particularmente na melhoria da persistência da postura e na qualidade dos ovos no final do ciclo de postura.

Reduzindo os custos de produção de ovos

Razões econômicas têm um papel importante na tomada dessa decisão. Isso significa menos necessidade de alimento por ovo. Manter as aves por mais tempo diminuirá a contribuição financeira da franga de 18 semanas para o custo por ovo. A manutenção do tamanho e da qualidade dos ovos além de 75 semanas e até uma meta de 100 semanas pode ter um grande impacto na lucratividade do lote. O tempo necessário para atingir o ponto de equilíbrio econômico das aves aumentou de 34 semanas em 1998 para 52 semanas em 2016. Isso indica que ciclos de produção mais longos são essenciais em um cenário econômico difícil.

Produção de ovos mais sustentável

Ciclos de postura mais longos levam a uma pegada de carbono menor por ovo. Além disso, estima-se que cerca de 1 g de nitrogênio por dúzia de ovos poderia ser economizado para um aumento de 10 semanas na produção. Isso pode reduzir significativamente o impacto da nitrificação aumentando ou mantendo a produção, o que é especialmente importante em áreas sensíveis a nitrato.
O uso mais eficiente de recursos e redução de resíduos ajudará a reduzir o impacto ambiental da produção de ovos e preservar o meio ambiente.

Primeiro lote comercial produzindo 500 ovos em 100 semanas

Os sistemas de produção livres de gaiolas estão seguindo a tendência de períodos de postura mais longos. Exemplo de como estender o ciclo produtivo de galinhas sem gaiola.
Na verdade, o primeiro lote comercial que alcançou 500 ovos em 100 semanas foi um lote criado ao ar livre e foi relatado em junho de 2018. Envolveu um lote de 40.000 aves Dekalb White na Alemanha. Um fator chave de sucesso para este caso foi que o produtor gosta de aprender coisas novas.

Como chegar a 500 ovos em 100 semanas

A diminuição no número de ovos produzidos combinada com uma deterioração na qualidade da casca são as principais razões para substituir os lotes às 72 semanas de idade, ou por volta desta idade.
Os benefícios da seleção genética para melhorar a persistência da postura e a estabilidade na qualidade do ovo só podem ser obtidos se forem combinados com melhorias na nutrição e um monitoramento cuidadoso dos efeitos desse processo na saúde e bem-estar das aves.
Para prolongar o ciclo produção das poedeiras comerciais, é necessária a manutenção a longo prazo dos tecidos e órgãos envolvidos na produção de ovos.

Vídeo motivacional de 500 ovos em 100 semanas

Suporte nutricional à persistência de postura

O progresso genético e ciclos de produção mais longos têm consequências para a nutrição. Os benefícios da seleção genética para melhorar a persistência da postura e a estabilidade na qualidade do ovo só podem ser obtidos se combinados com melhorias na nutrição das aves. Existem três áreas importantes que vêm à mente quando se trata de dar suporte a persistência da postura por meios nutricionais:

1) Manejo cuidadoso da ingestão de alimentos / nutrientes no início e no início da postura
2) Manter órgãos saudáveis que são importantes para a produção de ovos, p. fígado
3) Minimizar reações comuns de estresse, como estresse oxidativo, respostas inflamatórias e redução do consumo de ração para manter as aves saudáveis e eficientes.

Suporte nutricional às aves para manter um balanço positivo de nutrientes nas primeiras 10 semanas de postura ajudará a fornecer uma reserva para a produção de ovos no meio ou no final da postura e uma melhor qualidade da casca.

Manejo dos estressores nutricionais

O monitoramento de micotoxinas em alimentos também desempenha um papel chave para a saúde do fígado em poedeiras já que as micotoxinas causam estresse oxidativo e danos no fígado. As galinhas poedeiras são mais sensíveis às micotoxinas que as outras aves. Uma vida mais longa torna as galinhas poedeiras candidatas ideais para a micotoxicose crônica, causada pela exposição contínua a baixos níveis de toxinas.

A má saúde das aves e o estresse ambiental afetam a formação de ovos e a capacidade da galinha de manter a postura persistente. Isto pode ser agravada por fatores de estresse nutricionais na dieta, tais como alterações na dieta, baixa digestibilidade dos nutrientes, endotoxinas, fatores anti nutricionais e micotoxinas.

Conceitos nutricionais podem ser desenhados a dar suporte a agilidade intestinal, aumentar a capacidade da ave para se adaptar a desafios nutricionais e viver de acordo com seu potencial de desempenho, especialmente em situações de maior estresse. Em geral, eles são uma alternativa sustentável para ajudar a reduzir o uso de antibióticos nas rações, mantendo as aves robustas e eficientes para assegurar a coerência na relação custo-eficácia de dietas com altos níveis de desempenho.
A adição de um produto que inclui componentes fitogênicos com poder antioxidante e projetado para a agilidade de adaptação intestinal ao período tardio de postura de um lote comercial de ISA Brown, melhorou persistência postura em aves em comparação com uma dieta controle.

Recomendações de algumas casas genéticas

Alimentando poedeiras até as 100 semanas de idade – Lohmann
Como alimentar poedeiras para um ciclo de produção mais duradouro com alto rendimento. Dekalb
Progresso na genética de poedeiras para ciclos de produção mais duradouros. ISA.

Gerenciamento de custo-eficácia das dietas suínas com Anco Fit

A consistência na relação custo-eficácia das dietas de suínos pode ser de difícil controle, porém é determinante para a rentabilidade do negócio. Novas abordagens na nutrição de suínos concentram-se na gestão da agilidade de adaptação intestinal para retornos mais seguros.

Com até 70% do custo de produção advindo do custo das rações, a consistência da relação custo-eficácia das dietas é fundamental para a rentabilidade. Para maximizar a oportunidade de lucro, os produtores devem ser cuidadosos no desenvolvimento de estratégias nutricionais que resultem em melhores retornos sobre os investimentos e / ou margem feitos sobre os custos de alimentação e instalações. No entanto, os estressores nutricionais presentes nas rações, os quais reduzem a digestibilidade de nutrientes, como endotoxinas, fatores anti-nutricionais e micotoxinas, muitas vezes frustram o que se esperava da resposta de desempenho das dietas. Dependendo da maior presença ou ausência desses estressores, a mesma dieta pode diferir em custo-eficácia. Esses estressores muitas vezes não são fáceis para o nutricionista controlar e são parte da realidade que os animais estão enfrentando nos sistemas de produção modernos.

Estressores nutricionais reduzem a relação custo-eficácia

Quando do desafio com estressores nutricionais, reações de estresse como, redução da integridade intestinal estresse oxidativo, inflamação, redução do apetite e alterações na microbiota intestinal, serão ativadas no animal. Isto não somente reduz a performance de crescimento, mas também prejudica a conversão alimentar e consequentemente a relação custo-eficácia das dietas. A conversão alimentar é prejudicada porque a energia destinada a produção é desperdiçada nas reações ao estresse.

Por exemplo, sob condições de estresse oxidativo e inflamação, 30% da redução de performance se explica pelo catabolismo e conversão alimentar necessária para controle da inflamação.

O estresse oxidativo é definido como a presença excessiva de Espécies Reativas do Oxigênio (ERO) frente a capacidade antioxidante disponíveis das células animais. O estresse oxidativo é um dos principais eventos observados no curso de doenças inflamatórias.

Aumentos na permeabilidade intestinal elevam a possibilidade de translocação de bactérias e/ou suas toxinas através da barreira intestinal. A endotoxemia resultante pode desencadear o início e a progressão de enfermidades. O aumento da translocação de endotoxinas através da barreira intestinal também podem estimular as células imunitárias a produzir citocinas pró-inflamatórias e prostaglandinas como PGE2, resultando assim em inflamação de baixo grau, o que novamente pode desperdiçar energia metabólica.

Independente da causa desencadeante, a resposta imune inata e inflamatória é ativada no animal com o objetivo de uma melhor capacidade para fazer frente a fatores de estresse infecciosos e não infecciosos. Ao mesmo tempo, esta resposta necessita ser controlada com precisão para evitar danos teciduais e desperdício de energia metabólica.

É sabido que certas micotoxinas, como DON (deoxivalenol), causam em suínos os tipos de reações de estresse mencionadas anteriormente. A DON também tem impacto significativo na redução de ingestão de alimentos em suínos, o que resulta em taxas de crescimento reduzidas. A DON é globalmente a micotoxina mais prevalente em ingredientes para nutrição animal e é de difícil controle e portanto pode ter um papel importante na relação custo-eficácia das dietas.

O que acontece se os suínos forem mais resistentes

O ideal seria que a resposta a estressores nutricionais consumissem o mínimo possível de energia ou que estas respostas tivessem a menor intensidade possível para termos melhor e mais consistente eficácia alimentar. Este seria o caso se os animais fossem inerentemente mais resistentes a fatores de estresse nutricionais ou fossem capazes de adaptarem-se a estes fatores de forma mais eficiente do ponto de vista energético.

Evidencias científicas sugerem que em matéria de seleção genética, melhorar a capacidade dos animais para fazer frente a fatores de estresse pode ser uma das melhores maneiras de aumentar a performance produtiva do que somente selecionar visando maior potencial de crescimento. Isto significa que o suíno deve ser capaz de adaptar-se mais rápido e de forma mais adequada às mudanças na dieta e aos fatores de estresse para alcançar rendimento eficiente de crescimento. A seleção genética seguramente vai desempenhar um papel importante para o avanço nesta capacidade dos animais.

Estratégias nutricionais que dão suporte a velocidade e a eficácia com que os animais se adaptam aos estressores oferecem uma vantagem competitiva mais imediata na produção suína. Mais importante ainda, a capacidade do animal para fazer frente aos fatores de estresse também afetará o retorno do investimento das formulações das dietas e a rentabilidade do produtor.

Gerenciamento da agilidade intestinal visando animais mais vigorosos

O intestino é particularmente sensível aos fatores de estresse, desta forma, a ênfase deve ser dada ao intestino quando se quer melhorar a resposta adaptativa do suíno. A agilidade de adaptação intestinal é um novo termo definido para descrever a capacidade animal para adaptar-se aos fatores de estresse nutricionais através de resposta mais eficiente do ponto de vista energético e de forma mais rápida do que o faria normalmente. Os conceitos nutricionais de agilidade estão desenhados para capacitar os animais a adaptarem-se a uma variedade de fatores de estresse nutricionais, incluindo micotoxinas, tornando-os mais vigorosos e energeticamente mais eficientes. Se baseia em substâncias bioativas derivadas de plantas que reduzem as reações negativas ao estresse, como inflamação, estresse oxidativo, redução da integridade intestinal e diminuição do consumo de alimento geralmente observada em resposta a estes fatores.

Os animais se tornam mais vigorosos frente aos desafios da dieta, o que resulta em um maior rendimento e bem-estar. Isto novamente contribuirá para a consistência na rentabilidade das dietas sob condições comerciais.

Indicações Anco FIT

Anco FIT é um ativador da agilidade de adaptação intestinal desenhado para o gerenciamento da agilidade de adaptação intestinal por meios nutricionais e é utilizado como um aditivo ao alimento completo. O uso de Anco FIT nas dietas suínas permite aos animais adaptarem-se aos fatores de estresse nutricionais de forma mais eficiente e a expressarem todo o potencial produtivo. Para o nutricionista, proporciona maior controle sobre a eficácia das dietas.

Dietas pré iniciais: Anco FIT é recomendado nas dietas pré iniciais para ajudar os leitões a adaptarem-se ás transições de alimento de forma mais rápida e para dar suporte as defesas contra os fatores de estresse nutricionais, incluindo micotoxinas. Os resultados esperados incluem o aumento do consumo de alimento e crescimento durante esta importante etapa de desenvolvimento

Dietas de crescimento e terminação: Devido ao alojamento em grupos, o consumo de alimento geralmente fica limitado por fatores físicos e de comportamento e a energia disponível nas dietas determinará o rendimento comercial, particularmente na fase de terminação. Anco FIT é indicado a dietas de suínos nas fases de crescimento e terminação para reduzir o desperdício energético resultante das reações de estresse como inflamação e estresse oxidativo. O incremento da agilidade de adaptação intestinal também dá suporte a absorção eficiente dos nutrientes no intestino. Os resultados esperados incluem maior eficiência alimentar, especialmente frente aos fatores de estresse nutricionais.

Dietas de lactação: As demandas energéticas em fêmeas modernas de alta prolificidade são incrivelmente altas durante a lactação. A utilização eficiente da energia durante a fase de lactação não só afetará o rendimento da leitegada, como também a posterior performance reprodutiva desta fêmea.
Anco FIT é recomendado nas dietas de porcas em lactação para reduzir o desperdício de energia metabólica observados em situações de estresse oxidativo e inflamação. O incremento da Agilidade de adaptação intestinal também dá suporte a absorção eficiente de nutrientes no intestino. Os resultados esperados incluem alto rendimento na lactação e capacidade reprodutiva da gestação posterior mais consistente devido a maior eficiência energética.

Maior eficiência no desempenho de suínos pelo uso do conceito de agilidade de adaptação intestinal

A aplicação do conceito de agilidade à nutrição de suinos é uma abordagem inteiramente nova visando maior rentabilidade na produção animal em um ambiente competitivo.

As necessidades nutricionais dos genótipos suínos modernos estão bem amparadas por pesquisas. Ainda assim, muitos animais não alcançam seu potencial de desempenho, apesar das dietas cuidadosamente formuladas. Isso pode ser devido a fatores de manejo e / ou ambientais. Mas também há fatores nutricionais sobre os quais temos pouco controle. Estes podem levar a uma série de reações de estresse e eficiência sub-ótima de desempenho. Na verdade os animais serão submetidos a estressores ao longo de toda a vida produtiva.

Há evidências científicas que sugerem que para a seleção genética melhorar a capacidade dos suínos para lidar com estressores pode ser uma melhor maneira de melhorar o desempenho do que selecionar apenas com foco no aumento do potencial de crescimento. Portanto, aumentando a capacidade do animal de se adaptar aos estressores de forma mais adequada por meios nutricionais também pode ser uma alternativa para melhorar o desempenho. Mais importante ainda, quanto mais capaz for o animal para lidar com os estressores, maior será o impacto em termos de retorno sobre o investimento (ROI) das formulações das dietas e rentabilidade do negócio.

Atacando os estressores nutricionais

De maneira geral, os aditivos nutricionais foram desenvolvidos para atacar potenciais estressores no aparelho digestivo do animal diretamente. Por exemplo, as enzimas degradam componentes específicos não digeríveis tais como polissacarídeos não amiláceos (NSP), fitato para libertar nutrientes aprisionados e também reduzir os potenciais efeitos secundários negativos desses componentes. E quanto aos componentes menos digestíveis nos alimentos que não são especificamente alvo destas enzimas?

Os promotores de crescimento antibióticos têm sido utilizados para o seu efeito anti-bacteriano contra certas bactérias patogénicas. Mas em muitos países estes produtos já tiveram seu uso rotineiro banidos na alimentação animal. Outros países estão seguindo o exemplo, e há uma maior necessidade de alternativas eficazes.

Um intestino ágil ajuda o animal a adaptar-se aos estressores mais eficientemente e ser mais robusto em face aos desafios presentes na dieta e aos estressores.

Os adsorventes e desativadores de micotoxinas são usados nas dietas para neutralizar os efeitos nocivos das micotoxinas no animal. No entanto, é bem conhecido que a adsorção não é uma estratégia eficaz para todas as micotoxinas. A biotransformação de micotoxinas em metabolitos não tóxicos apenas terá como alvo certos tipos de micotoxinas e é pouco provável que se dê de forma completa no aparelho digestivo do animal

Adaptando-se aos estressores nutricionais

A questão é como o animal vai lidar com os estressores não alterados pelas soluções altamente específicas mencionadas acima? Os animais precisam se tornar mais ágeis. Conforme mencionado acima, melhores resultados de desempenho animal podem ser alcançados melhorando a habilidade do animal para lidar com os estressores. Isso significa que o suíno precisa ser capaz de se adaptar mais rápido e mais adequadamente às mudanças dietéticas e aos fatores de estresse para um desempenho eficiente. A seleção genética certamente vai desempenhar um papel importante para o avanço desta capacidade. As estratégias nutricionais que dão suporte a velocidade e a eficácia com que o animal se adapta aos estressores trarão uma vantagem competitiva mais imediata na produção de suínos.

Agilidade nos negócios

Quando a mensuração do desempenho é a rentabilidade, encontramos poucas empresas de cada segmento industrial que superaram seus concorrentes ao longo de períodos prolongados de forma consistente. Estas empresas mantêm essa vantagem mesmo em face de mudanças significativas nos negócios dentro de seus ambientes competitivos. O único fator que elas têm em comum é a agilidade – elas se adaptam com sucesso. A agilidade é uma capacidade que permite que uma organização responda de forma oportuna, eficaz e sustentável quando as circunstâncias em mudança o exigirem. Pesquisas realizadas no Instituto de Tecnologia de Massachusetts sugerem que as empresas ágeis geram lucros 30 por cento maiores do que as empresas não ágeis. Outra pesquisa identificou maior eficiência como um benefício significativo de uma melhor agilidade organizacional.

Maior agilidade organizacional leva a uma melhor performance dos negócios.

Agilidade de adaptação intestinal em suínos

A aplicação do conceito de agilidade em suino pode ajudar o avanço do desenvolvimento da eficiência na produção. O intestino e o sistema imunológico são particularmente sensíveis aos estressores, daí o por que se dar ênfase no intestino para melhorar a resposta adaptativa do animal. Agilidade de adaptação intestinal é um termo novo cunhado para descrever a capacidade do animal em se adaptar aos estressores nutricionais com uma resposta mais rápida e mais eficiente do ponto de vista energético do que normalmente faria.

O que funciona

À medida que as plantas evoluíram desenvolveram mecanismos de enfrentamento muito sofisticados para estressores e ameaças potenciais para melhorar sua sobrevivência. Eles contêm uma multiplicidade de substâncias bioativas, com uma variedade de propriedades, como anti-oxidantes, anti-inflamatórios, anti-microbianos, anti-virais e aromáticos. A combinação de muitas substâncias torna as plantas polivalentes a diferentes estressores. Portanto, é natural pensar em aplicar extratos de plantas a estratégias nutricionais desenvolvidas para capacitar os animais a se adaptarem aos estressores. Substâncias derivadas de vegetais já provaram ser altamente eficaz na natureza, ajudando as plantas a serem mais ágeis em face de estressores e ameaças à sobrevivência. No entanto, a velocidade da agilidade de adaptação intestinal por substâncias bioativas na ração, dependerá de encontrarmos a combinação ideal adequada aos animais e seus desafios.

Conclusões:

A combinação de estratégias nutricionais com parâmetros de seleção genética relevantes para melhorar a agilidade de adaptação do intestino dos suínos poderia contribuir para a produção de carne mais segura e rentável diante da crescente pressão do consumidor por dietas isentas de antibióticos.

Conhecimentos ANCO: 3 coisas a saber sobre bentonitas

As Bentonitas podem ser utilizadas em nutrição animal para adsorver micotoxinas e reduzir sua biodisponibilidade intestinal em rações contaminadas. Elas são argilas finas mineradas do solo. A maioria das bentonitas são formadas por alterações de cinzas vulcânicas em ambiente marinho e aparecem como camadas intercaladas a outros tipos de rochas (como podemos ver na imagem acima).

As bentonitas são definidas como material de ocorrência natural que são compostas predominantemente pela argila mineral Smectita. A capacidade de troca catiônica (CTC) e a área de superfície especifica das smectitas são consideravelmente maior que em outras famílias de argilas. Sua capacidade de absorção chega a ser 8 vezes maior que outras argilas.
Porém, existem algumas coisas a conhecer antes de utilizar as bentonitas em nutrição animal:
1.Nem todas as bentonitas são iguais
2.A melhor prova de eficácia ainda é in vivo
3.Somente um tipo de bentonita é aprovada na União Européia para uso como adsorvente de micotoxinas.

1.Nem todas as bentonitas são iguais

As bentonitas são materiais argilosos e coloidais e plásticos compostos largamente de montmorilonita (uma espécie de smectita dioctaedrica. As propriedades das bentonitas podem variar consideravelmente dependendo da origem geológica e algumas modificações pós extração. Suas características individuais têm marcada influência sobre seu uso comercial.

Apesar da nomenclatura genérica das bentonitas comercialmente disponíveis, várias propriedades físico-químicas foram identificadas como tendo uma possível correlação com a adsorção de micotoxinas e, portanto, poderem ser usadas para categorizar os diferentes tipos disponíveis.

Estas características incluem:
• Capacidade de troca catiônica, K+, Na+ e Ca++ trocável
• pH
• Inchamento linear
• Fração mineral
• Umidade Relativa
• Espaçamento-d (espaço intercamadas)

Pape do Espaçamento-d para adsorção de Zearalenona.

A adsorção em argilas não se limita à superfície das partículas, mas estende-se também ao espaço intercamadas. Este espaço, caracterizado pelo espaçamento d, pode ser determinado com difração de raios X (XRD) e é limitante para a formação de uma ou mais camadas adsorventes. Este espaço pode aumentar se a argila inchar, aumentando assim o número de sítios de ligação.

Testes de adsorção in vitro mostraram que há uma correlação positiva entre a adsorção da Zearalenona e o espaçamento-d em produtos comerciais a base de Bentonitas disponíveis, isto é, um maior espaçamento-d foi associado a altos % de adsorção de Zearalenona (De Mil et al 2015). O espaçamento d variou de 9,2 a 21,5 (10-10 m) em 16 produtos diferentes contendo bentonita, mostrando a grande variação existente.

Diferenças entre Cis e Trans bentonitas para a adsorção de Aflatoxina

Dados científicos recentes (Vekiru et al., 2015) que avaliaram diferentes tipos de bentonites para a eficácia de adsorção in vitro relacionada com a aflaxtoxina B1 mostraram que a maioria das bentonitas de Ca ou Na testadas foram eficazes. Todavia, as Cis-bentonitas foram mais eficazes que as trans-bentonitas.

As esmectitas dioctaédricas que se encontram na bentonite têm uma posição vaga nos octaedros porque uma das três posições octaédricas independentes simetricamente não é ocupada por cátions, o que resulta em um sítio vazio. A disposição dos grupos hidroxila na folha octaédrica relativamente a esta vacância define a configuração cis- ou trans- vazia.

2. A melhor prova de eficácia continua sendo in vivo

Experimentos in vitro têm sido desenvolvidos como uma forma eficaz de pré-seleção de agentes de adsorção antes dos testes em animais. No entanto, os resultados entre a eficácia in vitro e in vivo podem variar significativamente. Mesmo entre bentonitas com alta eficácia de adsorção in vitro, existem diferenças na eficácia in vivo indicando que os testes in vitro sozinhos não são adequados para a avaliação de adsorventes.

3. Somente um tipo de bentonita tem seu uso aprovado na União Europeia como adsorvente de micotoxinas

Atualmente, a bentonita 1m 558 foi aprovada como substância para redução dos problemas relacionados a contaminação por micotoxinas (aflatoxina B1) em rações animais para suínos, aves e ruminantes de acordo com a regulamentação da UE relativa aos aditivos para a alimentação animal. A aprovação baseia-se na segurança de utilização do produto e na comprovada eficácia de adsorção in vitro e in vivo para Aflatoxina.

Esta bentonita apresenta as seguintes características:
• Bentonita: ≥ 70% de esmectita (montmorilonite dioctaédrica)
• <10% de opala e feldspato
• <4% de quartzo e calcita
• Capacidade de ligação a Aflatoxina B1 acima de 90%

Ao atual nível de inclusão máxima recomendado desta bentonita na alimentação animal, a ligação de vitaminas e minerais é insignificante.

Anco team is growing with Marco Aurelio Nunes in LATAM

Marco Aurelio Nunes joins the ANCO team as technical sales manager for the Latin American markets. He has 22 years of production and commercial experience in the animal health and feed industry with a focus on the Latin American market. His previous roles included technical, sales and R&D positions.

In his new role, Marco will provide technical support to customers of ANCO products in Latin American markets, including Brazil.

Marco graduated from the University Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho – Campus de Jaboticabal in Sao Paulo with a veterinary science degree.

The ANCO team will benefit from his technical expertise and is excited to gain his contribution to the growth of the business in Latin America.

Marco Aurelio Nunes comments on his new challenge: “I am looking forward to be part of the ANCO team and support animal and feed producers in the LATAM markets with the very interesting concept of Gut Agility.”