Assuma o controle de como seus suínos respondem ao calor

O impacto das altas temperaturas na produção de suínos se tornará mais importante nas próximas décadas. Portanto, a capacidade do animal em controlar a resposta ao calor pode fazer a diferença. O que você está fazendo para assumir o controle?

Como os suínos em fase de crescimento respondem ao aumento da temperatura?

Devido às mudanças climáticas, os suínos ficarão expostos a temperaturas ambientes acima de sua zona de conforto térmico com mais frequência e por períodos mais longos. As altas temperaturas ambientes afetam fortemente o comportamento fisiológico e as adaptações metabólicas que têm um efeito negativo no desempenho de suínos em crescimento. As perdas econômicas para a indústria de suínos dos Estados Unidos devido ao estresse térmico foram estimadas em US$ 300 milhões por ano, com US$ 200 milhões associados a perdas de produção.

Em comparação com outras espécies de animais de produção, os suínos são mais sensíveis às altas temperaturas ambientais, porque eles não podem suar e têm mais dificuldade para ofegar. Os melhores indicadores para avaliar o estresse térmico de suínos em terminação são: aumento da taxa respiratória e da razão água/ração, seguido por redução do consumo de ração e aumento da temperatura retal. Em suínos mais pesados, sinais de estresse por calor são observados em temperaturas mais baixas, também suínos com genética moderna são mais suscetíveis ao estresse por calor.

A principal consequência do estresse por calor é que os animais reduzem o consumo de ração progressivamente com o aumento da temperatura, o que reduzirá o desempenho. Uma meta-análise realizada por da Fonseca de Oliveira et al (2018) relatou que altas temperaturas ambiente reduziram os valores de ganho médio diário (654 vs 596 g/d) e consumo de ração (2,14 vs 1,88 kg/d) quando comparados com o grupo termoneutro. Outros relataram que, enquanto cada 1 grau a mais na temperatura ambiente entre 24 e 30°C induziria uma diminuição do consumo de ração de 50 g/dia em suínos de 60 kg de peso corporal, a diminuição correspondente seria em média de 80 g/dia em suínos de 90 kg de peso corporal.

No entanto, o aumento da temperatura ambiente também demonstrou ter efeitos negativos sobre a função intestinal e integridade intestinal em suínos em crescimento e terminação, o que leva a níveis aumentados de endotoxinas no sangue, bem como perfis de inflamação alterados. Outra pesquisa demonstrou que o estresse oxidativo desempenha um papel no comprometimento da integridade da barreira intestinal em suínos sob estresse térmico.

Criando resiliência ao aumento da temperatura em suínos

 A seleção contínua para maior desempenho na ausência de tolerância ao calor resultará em maior suscetibilidade ao estresse térmico. Não surpreendentemente, vários grupos de pesquisa em todo o mundo estão tentando encontrar maneiras de aumentar a resiliência dos animais às mudanças climáticas. A resiliência pode surgir devido à menor sensibilidade ou melhor adaptabilidade a um desafio.

Os cientistas estão começando a descobrir maneiras de influenciar a capacidade adaptativa dos animais de produção para mitigar os efeitos do estresse térmico e suas consequências negativas para o bem-estar animal e a lucratividade em resposta ao aumento das temperaturas. A identificação de biomarcadores relevantes em animais capazes de manter altos níveis de produtividade durante o estresse térmico também ajudará na criação de animais resistentes ao clima. A via Nrf2-KEAP 1, parece ser particularmente promissora, como um mecanismo regulador a ser explorado mais a nível celular, devido à sua dupla influência na resposta antioxidante e anti-inflamatória dos animais.

Suporte nutricional para minimizar o dano do calor

 As intervenções nutricionais que apoiam a eficiência dos mecanismos adaptativos representam uma estratégia prática, adaptável e de baixo custo para mitigar os efeitos negativos do estresse térmico e melhorar a produtividade animal.

Os ativadores da agilidade intestinal são suplementos alimentares formulados especificamente para aumentar a resiliência dos animais, apoiando os sistemas de defesa celular e permitindo que os animais se adaptem com respostas mais eficientes aos estressores, incluindo o aumento da temperatura, mitigando assim o impacto no desempenho.

 

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